A infância e adolescência de Guilherme Taucci

Os detalhes que você não vê, contados em primeira mão

A infância e adolescência de Guilherme Taucci

Em 05/07/2001 nascia Guilherme Taucci Monteiro, em um lar simples em Mogi das Cruzes.

Posteriormente se mudou para Suzano, na casa dos avós localizado no Bairro Jardim Imperador.

Vinha de uma família simples, aos seus 6 meses de idade começou a ser criado pelos avós maternos (Benedito Luiz Cardoso e Arlete Taucci) pois seus pais (Tatiana Taucci e Rogério Machado Monteiro) eram dependentes químicos. Sua mãe já tinha 1 filho antes dele, Victor, que foi criado pela família paterna, anos depois teve outras 2 filhas, que moraram junto com o Taucci e os avós, e em 2015 teve Vitória, que mora com o pai.

Taucci e seus avós

Foi um garoto tranquilo até a adolescência. Em 2017, parou de estudar o 2º ano do Ensino Médio na Raul Brasil, pois dizia que não tinha amigos. Algumas pessoas relatam que ele não sofreu bullying, já outros afirmam que sim, ele sofria bullying por causa de suas espinhas no rosto e nas costas, uma das maiores inseguranças dele. Seu avô chegou a pagar um tratamento a ele, “Ele estudou até o segundo ano do ensino médio, no ano passado. Depois, desistiu de ir à escola. Ele reclamava que as pessoas zombavam das espinhas no rosto e nas costas dele. Elas davam apelidos maldosos. Eu cheguei a pagar tratamento pra ele”. relata o mesmo.

Trabalhou com seu tio, irmão de sua mãe, Jorge Antonio Moraes, mas foi dispensado em 2017. Não é confirmado que ele matou o tio por esse motivo. Porém não era o único familiar que ele teve problemas, o avô relata que Guilherme nunca bebeu ou usou drogas, pelo menos não dentro de casa, e dizia que “tinha vontade de pegar os usuários de droga e queimar todos”, uma alusão aos pais dependentes. Ele e sua mãe se encontravam raramente, e sempre discutiam nos encontros.

O avô, parentes e pessoas que conheceram o Taucci, todas disseram coisas boas deles, e disseram que era impossível adivinhar que ele faria algo do tipo. O avô disse “Era um menino bonzinho, não tinha problemas com drogas e nunca me deu trabalho”. Amoroso, obediente, apaixonado por games, educado, cuidadoso com as irmãs – uma menina de 9 anos e outra, de 7 – calado e tímido, adjetivos que usou para descrever o neto. “Se alguém me contasse, diria que era mentira. Ele sempre foi muito educado, muito resguardado e muito respeitoso. Tinha muito carinho pelo avô. Não consigo entender o que pode ter motivado um surto desse tipo,” comenta a tia Karina Morais. “Eram meninos normais (Luiz e Taucci). Falavam bom dia, boa tarde, boa noite. Não usavam drogas”, conta o motorista Cássio Nogueira, 39, vizinho que os viu crescer. “Ele sempre gostou dessas coisas de nazismo, gótico, roupas pretas e aquela franja emo. Os meninos gostam dessas coisas, não era só ele não. Coitado do meu filho” afirma sua mãe.

O avô alega que Taucci teria planos para sua vida, meses depois do massacre, ele faria 18 anos, o pai do Luiz Henrique de Castro teria prometido ao Taucci, um emprego no mesmo local que o amigo trabalhava, de limpeza e conservação de praças em São Paulo. Segundo o avô, ganharia R$ 1.400 por mês e teria vale-alimentação. Teria dito ao avô que daria o vale para ajudar nas compras da casa. O avô ganha um salário mínimo de aposentadoria. Benedito também disse que Taucci fazia bicos para as compras de jogos ou outros itens na internet, o último que teria feito, seria num quiosque de cachorro quente ganhando 600,00 reais.

Guilherme trabalhando no quiosque

A avó morreu em Dezembro de 2018, o avô diz que Taucci pareceu indiferente no começo, porém quando perguntado se não estava sofrendo com a morte, Guilherme teria dito: “Vô, eu senti do meu jeito”.

Na manhã do atentado, Guilherme deixou no chão do quarto uma foto queimada, que a mãe reconheceu como sendo sua com o pai do adolescente. Benedito também relata sobre os comportamentos do neto no dia anterior ao massacre,  “Ontem mesmo, quando ele chegou da rua de noite, eu esquentei o jantar pra ele. Estava tudo bem”, Guilherme comeu arroz, feijão e hambúrguer. “Ele adorava hambúrguer.”

É muito difícil afirmar com certeza, os motivos para tal feito, visto que o avô sempre dava o que ele queria, computador, tv, internet, e como relatado várias vezes, era um menino aparentemente “de boa” com a vida, e ninguém nunca imaginaria o que eles planejavam fazer.

Agradeço também a @marenymous e ao @luhkrcher666 por me fornecerem várias das informações e imagens desse post.

 

 

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