Assassinato-suicídio por Explosão de Dinamite

Os detalhes que você não vê, contados em primeira mão

Assassinato-suicídio por Explosão de Dinamite

“O inferno te espera. Seu dia chegará.” Essas ameaças foram escritas em uma carta anônima enviada à Loanne Rodrigues da Silva Costa, de 19 anos. Dias antes, ela havia sido severamente agredida na cabeça e teve de ser hospitalizada. A pessoa que enviou a carta apenas seria reconhecida dez meses depois – seu padrasto, Joaquim Lourenço da Luz, de 47 anos, uma pessoa com quem ela era muito próxima. No entanto, à medida que o autor da carta foi descoberto, ambos já estavam mortos.

Joaquim Lourenço se casou com Sandra Rodrigues, mãe de duas crianças, e rapidamente ficou próximo de Loanne, na época com 9 anos. Ele também tinha dois filhos, mas seu ‘amor’ pela menina se desenvolveu de uma forma que ele não sentia nem pelo irmão dela e nem pelos próprios filhos. Ele esteve ao lado dela em todos os momentos, da infância até a vida adulta. Todavia, a partir de determinado momento, Joaquim começou a agir extremamente ciumento e sua obsessão arruinaria a relação de Loanne com outras pessoas – e essa era exatamente sua intenção. Ele queria ter posse da jovem.

Aos 18 anos, Loanne começou a cursar enfermagem para realizar seu sonho de salvar vidas. Frequentemente ia em festas na companhia dos amigos, embora Joaquim ficasse a noite toda lhe ligando. Sandra achava que seu marido era apenas super-protetor, mas na verdade era muito mais do que isso. Seu ciume mórbido o levaria a planejar a morte da própria enteada.

Em abril de 2013, Loanne foi golpeada na cabeça quando chegava em casa de uma festa. Ela foi pega de surpresa e não conseguiu ver seu agressor, porém, o fato de seus cachorros não terem latido a fez perceber que se tratava de alguém familiar. Poucos minutos depois, Joaquim a alcançou e ofereceu ajuda. Na carta que ela recebeu enquanto estava se recuperando, Joaquim foi mencionado. “Você tem sorte de não ter morrido. Desta vez, seu padrasto maldito não estará por perto para te proteger.” A família prestou depoimento na delegacia, mas não foi possível encontrar o agressor.

Em 16 de dezembro de 2013, Loanne e Joaquim combinaram de ir até o Morro do Frota, atração turística com uma vista privilegiada da cidade de Pirenópolis, no estado de Goiás, onde eles moravam, para tirar fotos. Sandra os deu carona e em seguida os dois seguiram andando juntos até o topo. Loanne não sabia, mas ela estava andando em direção a sua morte.

A cronologia dos acontecimentos que antecederam as mortes é incerta. Loanne foi possivelmente drogada com Clonazepam – isso porque, apesar de não ter sido encontrado traços da substância em seu corpo, no local foi encontrado uma garrafa de 500 ml portando a substância – e posteriormente foi constatado etanol em seu sangue. Ela estava amarrada com uma corda a uma árvore, enquanto Joaquim estava amarrado a jovem com uma corrente. Cerca de uma hora depois de alcançarem o local, ambos morreram em uma explosão de dinamite. O corpo de Loanne foi encontrado sob o corpo de Joaquim no dia seguinte por um homem que passava pela mata, por volta das 13h. Seus orgãos estavam expostos e, nas palavras do delegado Rodrigo Luiz Jayme, “O corpo da menina foi dilacerado”. Ainda de acordo com o delegado, uma barraca e um colchão foram encontrados no local. “Corrente, corda, barraca e colchão, era tudo propriedade de Joaquim. A dinamite era da pedreira onde ele trabalhava”. Também foi encontrado uma faca, mas sem vestígios de sangue.

Ele havia planejado o crime por pelo menos dois meses, e convidou a jovem para acompanhá-lo até o Morro do Frota apenas para colocar seu plano em prática.

Quase dois meses após o crime, resultados de exames grafotécnicos – que analisam a escrita – revelaram o autor da carta anônima recebida pela vítima cerca de 8 meses antes de sua morte. “O resultado do exame grafotécnico deu positivo. A letra do bilhete com ameaça é do padrasto”, declarou Álvaro Cássio dos Santos, delegado regional de Anápolis. Além da carta, Joaquim já havia escrito um bilhete para a enteada, em que ele afirma não ter gostado de uma mudança que ela fez no cabelo.

A confirmação da autoria de Joaquim no homicídio não foi imediata, tendo deixado cidadãos de Pirenópolis e até mesmo Sandra em duvida quanto a isso. “Convivi oito anos com ele e nunca pensei que ele pudesse ser capaz de cometer um crime”, afirmou a mãe da vítima. Apenas em dezembro de 2014 o inquérito do caso foi concluído, confirmando que Joaquim Lourenço da Luz matou Loanne Rodrigues e se suicidou usando dinamite.


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