Brenda Spencer: Massacre na Grover Cleveland Elementary School

Os detalhes que você não vê, contados em primeira mão

Brenda Spencer: Massacre na Grover Cleveland Elementary School

Brenda Ann Spencer nasceu em 03 de abril de 1962, na cidade de San Diego, situada no estado da Califórnia, EUA. A jovem era filha de Dorothy Nadine Hobel e Wallace Edward Spencer, eles se casaram em 12 de dezembro de 1954 na mesma cidade de nascimento de Brenda, tendo 19 e 25 anos respectivamente.

Logo após o casamento, Dorothy concluiu o bacharelado em negócios, passando os próximos três anos fazendo cursos e abriu um escritório de consultoria. Wallace era técnico de manutenção na San Diego State University, emprego que manteve até a fatídica manhã de 1979.
O primeiro filho do casal foi Scott Matthew Spencer, nascido em 1956; a segunda, Theresa Lynn, de 1958 e, como caçula, Brenda, de 1962.
Em janeiro de 1972, completados 18 anos de casamento, Dorothy pediu divórcio, alegando que o marido a estava traindo. Durante a decisão de custódia sobre os filhos, todos foram ouvidos separadamente e a maioria escolheu ficar com o pai, assim, os três se mudaram junto com Wallace para um subúrbio de San Diego. A mãe teve seu direito de visitas acolhido, porém não se sabe ao certo quanto tempo manteve contato com os filhos.

Brenda foi descrita como uma jovem solitária, alimentando sempre um ódio contra seus cabelos ruivos e os óculos para miopia. A garota foi considerada por boa parte de sua vida antecedente ao massacre, normal e feliz, gostando de praticar esportes, animais e fotografia.
Após o divórcio, as coisas dentro de casa pioraram. Wallace era alcoólatra, vício no qual, mais tarde, Brenda alegara que contribuía para agressões físicas e abuso sexual da parte do pai para com a mesma.

Em junho de 1973, Wallace passou a atrasar o pagamento da pensão à Dorothy e, em maio de 1974, recorreu à justiça para que fosse liberto dessa obrigação. A família vivia em situação de quase-pobreza, o homem dormia com Brenda em um colchão na sala de casa; pediu também para que a ex-mulher lhe fornecesse uma quantia mensal de 150 dólares, pelos três filhos.

Spencer estudou até 1974 na Grover Cleveland Elementary School, escola que ficava do outro lado da rua de sua casa e, mais tarde, seria cenário para seu violento tiroteio. Após sua saída da Grover, a garota se tornou mais violenta, começando a andar com um garoto visivelmente problemático. Ela foi acusada de atear fogo em rabos de cães e gatos, adquirindo um comportamento antissocial e violento.
Dorothy Hobel afirma ter visitado a filha muitas vezes durante este período, porém Brenda recorda-se de ter ido até a casa da mãe diversas vezes após as aulas e ficar esperando-a na porta, mesmo sem ser convidada. Nunca ficou claro se a mulher ficava contente com as visitas. O advogado de Brenda, Michael McGlinn, descreveu Dorothy como “uma pedra”, que nunca estabeleceu um relacionamento próximo com a filha; Wallace como “um homem amargo, que odiava o mundo”.

No pouco tempo que o pai passava sóbrio, ele levava os filhos para passearem nas colinas, onde ensinou a caçula sobre pontaria e praticavam tiro ao alvo. Chegou até a lhe comprar uma espingarda de ar comprimido.

Um ex-colega da garota afirma ter ido praticar com ela uma vez e declarou que “ela matou um monte de lagartos e esquilos. Ela quase nunca errava”. Outro colega disse que o sonho da garota era se tornar uma atiradora profissional.
Aos 10 anos de idade, Brenda passou a usar heroína (vicio que manteve até os 27 anos) por conta própria e beber álcool. Aos 11, foi repreendida por um vizinho após atirar em aves; parou também de ir à escola com frequência. Esses hábitos levaram-na a ser internada em um colégio para crianças “especiais” e, em uma reunião de pais e mestres, Wallace e Dorothy se mostraram indiferentes ao serem alertados sobre o fato da filha ser suicida.

Spencer passou a gabar-se na sala de aula por fazer uso de LSD, maconha e outras pílulas; quando via um policial na TV recebendo um tiro, comemorava e, por diversas vezes, expressou sua vontade de matar policiais, chamando-os de “porcos”. Também dizia que em breve faria “algo grande”, que eles a veriam “na TV”.

Brenda tinha algumas poucas amizades, devido ao fato que muitos tinham medo da mesma e preferiam distância. Uma colega relatou: “Ela era legal, mas muito doida. Éramos legais com ela porque a gente tinha medo […] Eu não gostava dela porque estava sempre falando de matar coisas”. Um colega afirma que diversas vezes Brenda perguntava em voz alta qual seria a sensação de atirar nas pessoas.

No verão de 1978 foi detida por disparar contra a escola primária do outro lado da rua com sua espingarda de ar comprimido.
Seu oficial de condicional alertou Wallace sobre a depressão de Brenda e que ela deveria ser internada em um hospital psiquiátrico, afirmando que a garota representava um risco para as pessoas a sua volta e si mesma, porém seu pai ignorou os avisos.

No natal de 1978, Spencer diz ter pedido um rádio como presente, mas Wallace lhe deu um rifle Ruger calibre 22m com mira telescópica e 500 cartuchos de munição. Anos depois, a garota declarou que “senti como se ele quisesse que eu me matasse”. Brenda usou as próximas semanas praticando para o ataque que viria a acontecer.

Na manhã de 29 de janeiro de 1979, por volta das 8h30min, Spencer posicionou seu rifle na janela de casa e começou a atirar contra a Grover Cleveland Elementary School. As crianças, paradas no portão esperando que a escola abrisse, de inicio, pensaram que se tratavam de fogos de artificio, mas pararam quando viram os corpos no chão.

O diretor, Burton Wragg, 53 anos, foi atingido e morto enquanto tentava ajudar uma das crianças; Michael Suchar, 56 anos e zelador da escola, correu em direção ao diretor e foi morto em seguida. Outras nove crianças e um policial ficaram feridos.

Durante o ataque, dois jornalistas do San Diego Evening Tribune tentaram entrevistar por telefone vizinhos próximos, porém acabaram ligando para a casa de Brenda. Ao ser questionada do porquê de estar fazendo aquilo, ela respondeu: “Eu não gosto de segundas-feiras. Isto vai animar o dia”.
O tiroteio foi interrompido apenas após a polícia estacionar um caminhão de lixo entre a casa e a escola, bloqueando seus alvos.
O repórter do jornal tentou contato novamente, e ao ser questionada se era de fato a autora do massacre, Brenda respondeu com “E quem você acha que seria?”, desligando o telefone após.

Stevens ligou novamente; Brenda contou sobre dizer ao pai que estava doente e não iria à escola no dia; que estava fazendo aquilo por achar divertido e, ao ser novamente questionada sobre o motivo, respondeu que “Eu apenas não gosto de segundas-feiras. Você gosta de segundas-feiras? Fiz isso como uma forma de animar o dia. Ninguém gosta de segundas-feiras.”

Continuou respondendo perguntas com “Você acha que eu faria isso se tivesse mais alguém em casa?” e “Meu pai vai me matar quando descobrir tudo”, também afirmou que não via nada de errado em atirar contra pessoas que não conhecia. Ao ser informada que poderia ter assassinado três ou quatro pessoas, disse achar pouco e completou: “Isso foi tudo? Vi um monte de penas voar”. Terminou a entrevista com “Tenho que ir agora. Eu atirei em um porco (policial), acho, e quero atirar um pouco mais”.

A equipe avisou a policia – que até então não sabia de onde partiam os tiros – sobre a entrevista, assim ajudando a evacuar a escola pelos fundos. As crianças foram levadas até a Pershing High School, uma escola a três quadras dali, onde seus pais puderam busca-las.

Ao meio-dia um negociador entrou em contato com Brenda pelo telefone. As negociações foram difíceis, pois a garota tinha tudo ao seu dispor. A multidão do lado de fora gritava para que a polícia atirasse nela. Spencer – após três horas de negociação, colocou o rifle e a espingarda de chumbinho na calçada, voltando para dentro de casa. Em seguida foi convencida a se desfazer das munições também. Ela se rendeu à SWAT seis horas após o inicio do tiroteio, sendo algemada e levada para o Juvenile Hall. Brenda disparou cerca de 40 vezes e disse que gostava de ver as crianças se contorcerem após serem atingidas.

Na manhã seguinte ao ataque, o repórter Carl Cannon, do San Diego Union, foi até a casa dos Spencer querendo entrevistar Wallace; pela janela, o viu sentado na sala de estar com o olhar vago. Mais tarde um aviso foi colocado na porta informando que o homem estava muito abalado com o acontecimento e queria ficar sozinho.

Durante o tempo que estava no centro juvenil, Brenda conheceu Shiela McCoy, uma jovem de 17 anos. Logo Shiela foi liberada e ficaria em um albergue, mas foi embora por não gostar das regras. Procurou refugio na casa de Wallace e, por se sentir solitário, ele a acolheu.
Shiela engravidou de Wallace, ato que foi interpretado como violação da condicional; foi-lhe dado, então, as opções de voltar para a cadeia ou se casar com o pai de seu filho. O casamento foi realizado em 26 de março de 1980 e, logo após dar a luz, Shiela fugiu, deixando a filha com Wallace. Em uma entrevista realizada em 2006, ele afirmou que a garota ainda vivia com ele.

Durante exames psicológicos realizados antes do julgamento, foi descoberta uma lesão no lobo temporal de Spencer, associada a um acidente de bicicleta, por desconhecerem as agressões do pai até seu pedido de condicional em 2001. Também identificaram possíveis crises de epilepsia, material não abordado amplamente em seus julgamentos, pelo seu uso muitas vezes dissimulado.

Seus advogados prepararam uma defesa alegando insanidade, porém Brenda declarou-se culpada pelos dois assassinados e, em 01 de outubro de 1979, foi condenada a prisão perpétua com pena mínima de 25 anos, sendo cumprida no California Institution for Women, penitenciaria a 5 horas ao norte de San Diego.

Devido a má reputação, a Grover Cleveland fechou as portas em 1983 e uma placa em homenagem às vitimas fatais foi colocada no local. O terreno pertencente ao Distrito Escolas Unificado de San Diego, abrigou a Magnolia Science Academy e, em 2014, foi vendido para a Quail Capital Investments, que pretendia construir um condomínio no local.

Em 17 de janeiro de 1989, um homem portando um rifle semi-altomático iniciou um massacre contra crianças, também na Califórnia, matando cinco e ferindo outras 29; a escola também se chama Grover Cleveland Elementary School. O tiroteio ocorreu quase uma década após ao de Brenda.

Brenda tentou conseguir sua condicional em 1993, 2001, 2005 e 2009.

Na audiência de 1993, Brenda alegou fazer os ataques estando sob efeito de drogas, porém os exames toxicológicos realizados na época negam isso.

Em 2001, Brenda alegou viver em total negligência após o divórcio dos pais. Foi nessa época que relatou os abusos sofridos por parte de seu pai.

No pedido de 2005, disse não se lembrar mais do ocorrido e, como aprendeu a fazer pequenos consertos elétricos na prisão, se liberta, disse que seria produtiva em sociedade e trabalharia; porém, apesar de seu comportamento exemplar na penitenciária, seu pedido foi negado. Durante a audiência, foi dito que Brenda ainda mantinha uma personalidade psicótica e conduta instável, usando como uma das bases o acontecido quando sua namorada foi libertada em 2001; Spencer escrevera com um clipe de papel no peito – também relatado como no braço em algumas versões – as palavras “courage” e “pride” (orgulho e coragem); mantinha também uma personalidade depressiva.

Em 2009 foi declarado que ela não seria libertada e só poderia fazer um pedido novamente, após 10 anos.

 

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