Depoimento de Mark Kintgen: sobrevivente de Columbine

The details you cannot see

Depoimento de Mark Kintgen: sobrevivente de Columbine

Aqui está a tradução na íntegra do relatório feito por investigadores sobre o momento do massacre de Columbine na visão de um dos sobreviventes. Esse relatório faz parte dos arquivos fundamentais desse caso. Não temos a intenção de promover, fazer apologia ou enaltecer o ato cometido. Isso é apenas uma informação oficial disponibilizada 20 anos atrás.

12/05/1999

No dia 12/05/99, aproximadamente às 08:00, o Detetive Boatright foi à casa dos Kintgen, com o propósito de entrevista Mark Alan Kintgen sobre o Massacre de Columbine. Mark Kintgen estudava na Columbine High School e estava na biblioteca no momento do ataque. Os pais do garoto, Dale e Kay Kintgen, também estavam presentes para a entrevista.

Mark Kintgen afirmou que, no dia 20 de abril de 1999, foi para a escola com seu irmão gêmeo Mike, e chegou aproximadamente às 07:15h. Ele afirmou que após o seu irmão estacionar o carro na vaga dele, ao sul das áreas comuns, os dois entraram na Columbine High School. Ele afirmou que não reparou em nada fora do normal.

Mark em seguida foi para a sua primeira aula, Coral, que começava às 07:30h e encerrava às 08:10h. Ele ainda assistiu as aulas de História Mundial, Laboratório, e Álgebra I naquela manhã. Kintgen afirmou que seu quinto horário era vago, e ele costumava usá-lo para ir estudar na biblioteca antes do almoço.

Kintgen recebeu então um diagrama, e desenhou a rota que tomou até a biblioteca naquele dia. Ele lembrou que parou no banheiro e no seu armário no caminho da biblioteca. Ele afirmou também que chegou na biblioteca aproximadamente às 11:20h e pegou uma revista do rack de revistas, localizado ao norte da biblioteca. Em seguida, se sentou na mesa #1, no lado leste da biblioteca. Alguns minutos depois, uma estudante sentou do outro lado da mesa, enquanto conversava com algumas colegas da mesa ao lado. Kintgen não conseguiu identificar nenhuma das estudantes. Após um tempo, quando Kintgen estava lendo a revista, a garota que sentou em sua mesa saiu, e ele só voltou a vê-la depois do ataque, atrás das viaturas da polícia.

Kintgen disse ter folheado a revista que pegou ao entrar na biblioteca por aproximadamente cinco minutos, quando começou a escutar três “barulhos de pancadas, como marteladas”. Ele disse que inicialmente não se preocupou com os barulhos e continuou a ler a revista.

Então Mark afirmou que, às 11:25h, a Sra. Nielsen entrou na biblioteca pela entrada leste, junto com um estudante chamado Brian Anderson, e foi para detrás do balcão, perguntando aos gritos onde estava a Sra. Keating. Kintgen afirmou que não lembra para onde Brian Anderson foi após entrar na biblioteca. Após não encontrar a Sra. Keating, a Sra. Nielsen começou a perguntar pelo telefone. Kintgen afirmou que naquele ponto era óbvio que ela estava em pânico. Foi quando ela anunciou, falando ao telefone, que haviam “crianças atirando”, e gritou repetidamente: “vão para debaixo das mesas!” Mark afirmou que obedeceu a ordem quase imediatamente.

Ao se posicionar sozinho debaixo da mesa #1, Kintgen ficou encarando o lado leste, com visão direta para a entrada da biblioteca. Kintgen afirmou que passou dois minutos escondido  antes de ouvir “tiros ou explosões” no corredor, do lado de fora da biblioteca. Ele não conseguia lembrar exatamente quantos foram, mas lembrava que aconteceram esporadicamente “por um minuto ou dois”. Mark afirmou que quando o alarme de incêndio começou a tocar, os suspeitos entraram na biblioteca.

Com relação aos suspeitos, Kintgen afirmou que observou dois indivíduos entrarem na biblioteca pela entrada leste. Ao ser questionado sobre a aparência dos suspeitos, ele alegou que só conseguiu vê-los da cintura para baixo, e que eles estavam usando calças e botas pretas, no estilo militar. Ele afirmou que escutou boatos de que os suspeitos estavam usando sobretudos pretos, mas não podia confirmar porque não lembrava. Ele ainda disse que um dos suspeitos estava carregando uma arma “automática com um pente longo”, menor que um rifle, mas não conseguia dizer qual dos suspeitos estava de posse da arma.

Kintgen afirmou que depois de entrar na biblioteca, os suspeitos foram para o lado oeste e, enquanto estavam andando entre o balcão principal e a mesa de referências, um deles falou “todo mundo de pé!” Foi nesse ponto que Mark começou a escutar tiros. Ele afirmou que depois que os tiros cessaram, um dos suspeitos falou “oh, veja esse cérebro”, e os dois riram. Mark afirmou que os suspeitos riram várias vezes durante o incidente.

Na mesma hora que escutou os primeiros tiros, Kintgen começou a “ver fumaça”, mas não sabia de onde havia se originado. Ele escutou mais tiros no lado oeste da biblioteca, além de gritos, mas não tinha certeza se eram dos estudantes ou dos suspeitos.

Kintgen afirmou que quase imediatamente depois que os tiros pararam no lado oeste da biblioteca, ele começou a ouvi-los no lado leste da biblioteca. Ele viu apenas um dos suspeitos no lado leste da biblioteca, e tinha certeza de que ele havia atirado pelo menos uma vez no suporte de vido, perto da entrada da biblioteca. Ele foi atingido logo depois.

Mark não tinha certeza de como aconteceu. Ele afirmou que era possível que o suspeito tivesse atirado nele pelo suporte de vidro, mas não tinha certeza. Ele explicou que haviam espelhos localizados no suporte de vidro, que possivelmente distorceram sua visão do que realmente estava acontecendo. Porém ele tinha certeza de que a pessoa que atirou no suporto de vidro foi a mesma pessoa que atirou nele, adicionando que era possível que o suspeito tivesse contornado o suporte de vidro antes de disparar debaixo da sua mesa.

Ao ser questionado sobre a arma utilizada pelo suspeito que atirou no suporte de vidro e depois atirou debaixo de sua mesa, Mark Kintgen afirmou que achava que era a “automática” descrita anteriormente, mas não tinha certeza.

Kintgen alegou não saber quantos tiros foram disparados debaixo de sua mesa, mas afirmou que “parecia que haviam sido todos de uma vez”. Ele foi atingido na parte esquerda traseira da cabeça, e a bala viajou para a parte da frente. Ele também foi atingido no lado esquerdo do pescoço, e a bala atravessou, saiu pelo lado direito e entrou em seu ombro direito. O tiro que levou na cabeça foi removido cirurgicamente, mas a bala alojada em seu ombro foi mantida.

Após ser atingido, Kintgen afirmou não ter escutado mais nenhum tiro, apenas ter escutado uma voz masculina dizer “Você acredita em Deus?”. A próxima coisa que lembrava foi ter acordado, deitado no chão, com medo de morrer.  Ele disse que haviam “estilhaços de madeira por toda parte”, o que o fez acreditar que o suspeito havia atirado numa cadeira próxima. Após perceber que estava deitado no chão, ele viu uma garota, a quem depois identificou como “Patti Blair”, se levantar da mesa #3. Ele disse a Patti Blair que precisava de ajuda, mas ela não respondeu. Mark afirmou que lembrava de ter visto Patti Blair andar entre as estantes de livros que separavam as diferentes seções da biblioteca, e foi andando atrás dela.

Ele andou pela seção central da biblioteca antes de ir para o norte, até a saída. No caminho, Kintgen afirmou ter visto alguém deitado debaixo da mesa #9, e outra pessoa próxima às mesas de computadores. Ele não conseguiu ser mais específico sobre essas pessoas. Ele também afirmou que enquanto estava saindo da biblioteca, acreditava que havia visto outras pessoas se movendo pela biblioteca em direção à saída norte. Ao sair da biblioteca, ele foi até uma viatura de polícia, onde já haviam aproximadamente 20 ou 30 outros estudantes presentes, incluindo a garota que havia sentado em sua mesa, e outro estudante, que ele identificou como “Josh Lapp”.

Mark Kintgen afirmou que permaneceu atrás da viatura da polícia por aproximadamente 10 a 15 minutos antes de ser “evacuado”. Ele descreveu brevemente ter sido colocado na caçamba de uma viatura e levado até um “helicóptero”, que o deixou no Denver Health Medical.

Veja abaixo os diagramas dados a Mark Kintgen, para que ele traçasse sua rota na escola e na biblioteca no dia do massacre.

Columbine-biblioteca-e1597963317341-300x227 Depoimento de Mark Kintgen: sobrevivente de Columbine

Diagrama da Columbine High School

Columbine-biblioteca-2-e1597963425469-300x227 Depoimento de Mark Kintgen: sobrevivente de Columbine

Diagrama da biblioteca da Columbine High School

Mark Kintgen sofria de paralisia cerebral. Ele se formou na Columbine High School no dia 20 de maio de 2000, ingressou na State University e é um grande fã de esportes.

 

mark-kintgen Depoimento de Mark Kintgen: sobrevivente de Columbine

Mark Kintgen antes do massacre.

m2-300x300 Depoimento de Mark Kintgen: sobrevivente de Columbine

Mark Kintgen atualmente.

 

 

Leave a reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

en_US