Suzane von Richthofen: Seu inferno particular

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Suzane von Richthofen: Seu inferno particular

Suzane, seu irmão Andreas e seus pais Manfred e Marísia Von Richthofen eram uma família de classe média alta paulistana que vivia em uma mansão em Campo Belo, Zona Sul de São Paulo. Mais tarde, essa casa se tornaria palco de um dos crimes que mais chocou o Brasil. A jovem de 18 anos estava estudando Direito na PUC-SP e namorava Daniel Cravinhos. Mas seus pais não aprovavam o relacionamento.

A obsessão do namorado com a garota e os constantes empréstimos e presentes caros não eram vistos com bons olhos pelo casal Richthofen. Em maio daquele ano, os pais proibiram a relação de Suzane com Daniel.

Não se sabe exatamente quais foram os motivos que levaram Suzane a planejar o assassinato de seus pais. A história é repleta de fingimentos, mentiras e versões distintas, mas o que se sabe é que no dia 31 de outubro de 2002, exatamente no dia em que comemora-se o Halloween, Manfred e Marísia von Richthofen foram mortos a pauladas por Daniel e Cristian Cravinhos, a mando de Suzane.

O casal foi assassinado pelos irmãos Cravinhos enquanto dormiam, levando golpes de barras de ferro na cabeça. Acredita-se que Suzane tenha permanecido na biblioteca da casa durante o crime. Seu irmão mais novo havia sido retirado mais cedo de casa por ela.

Depois dos homicídios, Suzane recolheu as barras de ferro encharcadas com o sangue de seus pais e jogou documentos pelo quarto. O intuito era fazer com que a polícia achasse que eles tinham sido vítimas de um latrocínio ─ um roubo seguido de homicídio. Cristian também deixou uma arma próxima do corpo de Manfred.

Eles levaram uma mala cheia de dinheiro, contendo entre 8 e 5 mil reais. Depois do crime, o plano foi forjar álibis para que eles não fossem culpados pelos assassinatos. Cristian ficou perto de sua casa, e o casal foi para o Motel Colonial, na Zona Sul, pagando R$ 380 pelo quarto. Eles saíram da suíte presidencial por volta das 3 horas da manhã para buscar Andreas onde haviam deixado-o (há diversas teorias de onde o irmão ficou, desde na casa do próprio Daniel até em um Cybercafé).

Quando a polícia descobriu o trágico episódio, Suzane fingiu para as autoridades. Ela simulou sofrimento no enterro, chorando e abraçando seu irmão. Mas alguns dias depois, ao ser interrogada sobre o crime, acabou confessando. Daniel e Cristian também tiveram a mesma atitude. Os três foram condenados a cerca de 39 anos de prisão, cada um.

Contudo, o que poucos sabem, é que depois de presa, Suzane começou a ser atormentada por delírios e sonhos ─ ou talvez pelos espíritos dos pais?

Ao chegar na Penitenciária Feminina da Capital, em São Paulo, logo após ser presa, Suzane passou dez dias em uma espécie de solitária. A PFC, fica exatamente ao lado onde um dia foi o Carandiru, Casa de Detenção de São Paulo que foi implodido também em 2002, tendo seu terreno arborizado e transformado em um espaço de passeio. Entretanto, essas árvores se tornaram um inferno na vida das carcereiras e das presas. Segundo relatos, o lugar é muito pesado e quando chove, é possível ver rostos nas árvores e o vento acaba soando como gritos, mexendo muito com o psicológico de quem convive com o lugar.

E com Suzane não foi diferente. Ao chegar, a garota se assustou demais com tudo aquilo. Era uma realidade completamente diferente da vida que lavava, e não tinha como fugir. Suzane começou a não dormir a noite, revirava na cama, ouvia as corujas e os barulhos das árvores e a única coisa que lhe confortava era Marisol, uma agente carcerária muito católica do local. Um dos conselhos dados pela mesma, fora: “Aqui Suzane, você precisa aprender a lidar com os vivos e os mortos.”

Na mesma época, Suzane pediu para que seu advogado trouxesse o processo de seu crime, inclusive com fotos, pois até então ela não havia visto como ficara o rosto dos pais. E assim foi feito, os documentos foram levados a contra gosto e ela pôde ver pela primeira vez o resultado de tudo que havia feito. Acabou ficando aficionada em ler os documentos, dias e noites, fumava e lia mais um pouco, até que chegou nas fotografias.

Nessa mesma noite, segundo Suzane, ela ainda estava deitada lendo ─ contudo, as carcereiras dizem que a mesma estava dormindo ─, e o seguinte relato é que no meio de todo o silêncio, a porta onde estava se abriu, fazendo força para ser empurrada. Segundo a garota, era uma mão clara cheia de anéis e ela percebe que é a mão de sua mãe.. De repente a porta se abre e Suzane corre até os pés de sua mãe, que estava de costas, pedindo perdão, com seu cacoete de falar três vezes a mesma coisa: “Mãe, por favor, me perdoa!” E a mãe a perdoa. Todavia, a filha ainda assustada, pergunta pelo pai e Marísia responde: “Ele está chegando.”

Suzane tenta puxar a mãe para um abraço, mas a mesma se nega, continuando de costa. Ela insiste e quando a mãe se virou, Suzane viu o rosto da mulher, como havia ficado, com cada detalhe. Ela relata que foi horrível. Conseguia ver os pedaços onde sua mandíbula estava amassada, seu nariz quebrado, a arcada dentária destruída, crânio afundado, basicamente sem face. Com isso, Suzane começa a gritar desesperadamente, até que alguém a acordou. Os sonhos eram repetidos, seguido de visões nos corredores e nas celas. Psicologicamente falando, Suzane dormiu com as fotos no inconsciente, talvez até mesmo com um pouco de medo. Porém, algum tempo depois, Daniel Cravinhos mandou uma carta para ela, relatando os mesmos pesadelos, as mesmas coisas que ela também via. O curioso, é que todos os Psicólogos que fizeram o Teste de Rorschach na mesma, disseram que ela não possuía nem uma empatia com o exterior, ela não conseguia sentir remorso, o que é estranho, já que seus sonhos são típicos de quem sente culpa. Espiritualmente falando, Suzane deu de cara com o mundo e a cobrança espiritual. Médiuns dizem que a mãe já lhe perdoou, mas o pai não, tornando-se um espírito obsessor para vingar-se dela.

 

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