Eric Harris foi sabotado por sua própria mãe para não entrar na marinha?

Os detalhes que você não vê, contados em primeira mão

Eric Harris foi sabotado por sua própria mãe para não entrar na marinha?

Muitas pessoas afirmam a pergunta acima, apontando que Eric teria revoltado-se ainda mais após sua mãe, Kathy Harris, ter sabotado sua entrevista para ingressar na marinha, o que teria resultado em mais uma rejeição na vida dele. Isso teria sido o ponto crucial para Eric decidir seguir em frente com o massacre, já que não tinha nada a perder. Mas será que essas suposições são verdadeiras e bem fundadas? Vamos analisar.

Entre inúmeros depoimentos divulgados pela polícia após o ocorrido, encontramos o do Sargento Mark Gonzales. Ele foi o responsável por contatar Eric e seus pais, e entrevistá-los até o dia 15 de Abril de 1999 – apenas cinco dias antes da tragédia. Inicialmente notamos ele descrever o desempenho de Eric nas entrevistas. Note a tradução do documento:

“Em 28/04/99, Sargento Les Williams e Detetive Tom Hayes encontraram-se com o Sargento Mark F. Gonzales no Serviço de Recrutamento do Corpo de Fuzileiros Navais. O Sargento Gonzales é um recrutador da Marinha e entrou em contato com Eric Harris através de uma lista de seniores fornecida pela Columbine High School. O Sargento Gonzales declarou que entrou em contato com Harris por telefone em 02/04/99 no telefone residencial dos Harris. Harris disse a Gonzales que estava planejando cursar a faculdade, mas estava interessado no pessoal do Corpo de Fuzileiros Navais. O Sargento Gonzales perguntou a Harris o que seus interesses incluíam, durante essa entrevista inicial. Harris disse a ele que estava interessado em computadores, futebol e armas. Harris disse que suas notas eram A e B na escola e que trabalhava no Blackjack Pizza. Harris também disse ao Sargento Gonzales durante a entrevista inicial que nunca havia usado drogas.

O Sargento Gonzales marcou um encontro com Harris no escritório de Littleton para mais entrevistas e testes em 05/04/99 às 13 horas. Gonzales disse que Harris manteve esse compromisso e apareceu dirigindo um Toyota ou Nissan com um adesivo “Ramstien” (Rammstein) na janela traseira. Harris usava botas pretas de combate, calças pretas e uma camiseta preta com a palavra “Ramstien” na frente. O Sargento reconheceu isso como um grupo de rock alemão. Harris fez o teste de triagem inicial dado a todos os recrutas e obteve 46. Segundo o Sargento Gonzales, esta é uma pontuação média. Durante uma entrevista após o teste para determinar suas áreas de interesse, Harris recebeu várias etiquetas que foram identificadas com atributos diferentes. Harris escolheu três etiquetas que foram rotuladas como aptidão física, liderança e autossuficiência, autodisciplina e auto-direção. Harris indicou que estava interessado na infantaria e estava particularmente interessado nos tipos de armas, treinamento e uso em demolições.”

Eric parecia realmente disposto até então a ser aceito, demonstrando bons critérios para sua aprovação. Mas percebemos agora na continuação do depoimento que ele não quis tomar a decisão sozinho. Eric por duas vezes mencionou que essa era uma questão a ser discutida com seus pais e ele mesmo providenciou um encontro de seus pais com o recrutador.

“No final da entrevista, Harris queria pensar em se alistar e queria conversar com seus pais sobre a decisão. No dia 08/04/99 às 13 horas, Harris retornou ao escritório de recrutamento de Littleton e conversou com o Sargento Gonzales. Harris novamente disse que queria pensar em se alistar e queria discutir isso com seus pais. Harris organizou uma visita domiciliar com o Sargento Gonzales em 15/04/99 às 18 horas.

Em 14/04/99, o Sargento Gonzales foi ao Blackjack Pizza aproximadamente às 19 horas para entrar em contato com Harris. Harris reconfirmou seu compromisso com o Sargento Gonzales para uma visita domiciliar em 15/04/99. Em 15/04/99, o Sargento recebeu um telefonema de Harris e voltou a confirmar sua visita domiciliar às 18 horas.

Aproximadamente às 18 horas, o Sargento Gonzales chegou à casa de Harris e foi recebido por Eric Harris e seu pai. O Sargento Gonzales teve uma conversa casual com o Sr. Harris em referência a carreira militar de Harris. Durante esse diálogo, a mãe de Eric desceu as escadas e juntou-se a conversa sobre o Corpo de Fuzileiros Navais. Os Harris tinham perguntas sobre empregos na Marinha e o programa de entrada atrasada (DEP). A mãe de Eric perguntou sobre a elegibilidade de Eric se ele estivesse tomando um antidepressivo. A mãe de Eric pegou um frasco de comprimidos no andar de cima para que o Sargento Gonzales pudesse identificar o medicamento e verificar o status de elegibilidade. O Sargento Gonzales olhou para o frasco de remédios e copiou o nome do medicamento, Luvox.

O Sargento Gonzales disse aos Harris que ele verificaria o status de elegibilidade de Eric e os ligaria de volta. Ele não disse aos Harris que não no momento porque queria checar mais com o Corpo de Fuzileiros Navais.

No dia seguinte, na sexta-feira 16/04/99 ou no sábado 17/04/99, o Sargento Gonzales deixou uma mensagem no telefone residencial dos Harris para eles ligarem de volta. O Sargento Gonzales disse que Harris nunca foi notificado de que não seria elegível para ingressar na Marinha.”

Percebemos aqui que segundo a vontade do próprio Eric, ambos os seus pais estavam presentes na entrevista. Tanto Wayne como Kathy demonstraram preocupações normais de pais com respeito ao futuro do filho. Quando Kathy aborda o assunto do remédio, a preocupação mostra ser devido ao tratamento pelo qual Eric passava. O recrutador em nenhum momento menciona algo que dê a entender uma intencionalidade ruim da parte dela, foi apenas uma pergunta normal.

E então, Eric revoltou-se por ter sido rejeitado? No final do depoimento percebemos que nem Eric e nem seus pais obtiveram uma resposta sobre a rejeição, visto que não retornaram a ligação do recrutador. É possível que Eric tenha deduzido que seria rejeitado, mas comprovação não pode ser dada como “o gatilho” já que de fato ele nunca soube.

Algumas pessoas também mencionam uma possível mágoa de Eric com respeito à “sabotagem de sua mãe” quando ele menciona em seu diário que poderia ter sido um ótimo fuzileiro naval e que esse seria um bom motivo para fazer coisas boas. Porém essa passagem do diário foi escrita em 03 de Dezembro de 1998, enquanto Eric só falou de verdade com um recrutador em 02 de Abril de 1999. Ou seja, esse trecho do diário não tem relação nenhuma com esse evento.

No desespero de querer achar respostas para uma tragédia tão impactante como essa, acabamos tentando ver o verdadeiro motivo do tiroteio em cada detalhe. O que passava-se na mente de Eric Harris e Dylan Klebold é algo muito mais complexo do que rejeição ou problemas com os pais. Não devemos atribuir a culpa para outras pessoas ou outras coisas, mas precisamos analisar cada vez mais a verdade por traz das informações que cercam esse caso. Kathy não sabotou o próprio filho e Eric nem ao menos sabia se realmente queria ir para a Marinha. Isso é mais uma informação desmentida a respeito de Columbine!

Nota: o depoimento foi traduzido na íntegra para que nenhuma fala do recrutador ou dos investigadores fossem tirados de contexto. Por isso, qualquer repetição ou erros contidos ali vem do próprio texto original.

 

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