Miriam Brandão: criança sequestrada e assassinada por chorar

Os detalhes que você não vê, contados em primeira mão

Miriam Brandão: criança sequestrada e assassinada por chorar

Dezembro é um mês difícil para Jocélia Brandão. Nesse mês, em 1992, ela recebeu uma ligação que nenhuma mãe gostaria de receber — sua filha, Miriam Oppenheimer Leão Brandão, de apenas 5 anos, havia sido sequestrada por dois homens. Os sequestradores demandaram uma enorme quantia em dinheiro e as negociações duraram 17 dias, mas Miriam havia sido asfixiada, esquartejada e queimada no dia seguinte ao sequestro.

Por volta das 7 horas da manhã do dia 22 de dezembro de 1992, em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, Jocélia Brandão deu um beijo em sua filha enquanto ela dormia e disse “Minha filha, fique com Deus.” Ela não sabia, mas aquele seria seu último contato com a pequena Miriam, a caçula da família. Seu então marido, Volney Brandão, e seu filho, Pedro Brandão, com então 8 anos, também estavam dormindo. Em seguida, saiu para o trabalho.

Cerca de meia hora depois, Jocélia recebeu a ligação que mudaria o rumo de sua vida para sempre — sua filha havia sido sequestrada. Nada parecia fazer sentido. Por não serem uma família de classe média alta (eles possuíam uma farmácia, mas sequestros pareciam acontecer apenas com famílias ricas), Jocélia não conseguia entender o porquê aquilo estava acontecendo.

Os dois sequestradores haviam se passado por funcionários de uma companhia telefônica, e assim receberam permissão para entrar na casa da família Brandão. Além de Volney e seu filho, a empregada da família também se encontrava na residência e foi amarrada pelos criminosos.

Eles fizeram o primeiro contato com os pais da vítima no dia seguinte, exigindo 150 mil dólares para o resgate — dinheiro que a família não tinha, mas que faria de tudo para conseguir. Volney chegou a vender seus pertences em uma tentativa de conseguir o dinheiro necessário para ter sua filha de volta.

Enquanto acontecia as negociações, os policiais trabalhavam para descobrir onde se localizava o cativeiro, que seria encontrado apenas no dia 7 de janeiro de 1993. O cativeiro se situava no bairro Santa Cruz, e era a casa de William Gontijo Ferreira, que junto de seu irmão, Wellington, sequestrou a criança. Durante toda a investigação, os pais de Miriam não pensavam na hipótese da filha estar morta, e muito menos na possibilidade de nunca mais ver o corpo da menina. Mas, sem que eles esperassem, foi isso o que aconteceu.

A pequena Miriam foi assassinada no segundo dia do sequestro, em uma tentativa dos criminosos de calá-la. Ela estava muito assustada e o tempo todo chamava pela mãe, pelo pai e pelo irmão, além de sentir falta de sua mamadeira. Para fazê-la parar de chorar, William a asfixiou com Éter, líquido incolor usado como solvente de resinas e óleos. Ao notar que Miriam estava sem vida, decidiram se livrar do corpo. Ele então cortou o corpo da menina em pedaços, incendiou dentro de um tambor com pneus velhos e enterrou as cinzas ao lado de um pé de bananeira. Tudo o que sobrou foram dois dentes carbonizado e dois pedacinhos de ossos.

Além dos dois homens, uma terceira pessoa também foi presa — Rosemaire Figueiredo Silva, funcionária da farmácia da família Brandão e namorada de William. Ela deu a ideia e colaborou com os homens, pois eles necessitavam de dinheiro para pagar dívidas com rinha de galo.

Em 1994, os três criminosos foram condenados. William Gontijo Ferreira foi condenado a 32 anos de detenção e recebeu liberdade condicional após ter cumprido 17 anos. Wellington foi condenado a 21 anos, e teve a pena extinta em 2009. Rosemaire foi condenada a 18 anos e foi solta após cumprir 8 anos.

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