O Castelinho da Rua Apa: um caso não solucionado

Os detalhes que você não vê, contados em primeira mão

O Castelinho da Rua Apa: um caso não solucionado

Durante uma noite fria, em um pequeno castelo localizado na rua Apa, na capital paulista, gritos rompem o silêncio da noite como o disparo de uma parabélum fazia aos três membros de uma família abastada. Um duplo assassinato seguido de suicídio choca todo o país, mas o crime nunca é solucionado e o castelo é abandonado, assim como a investigação.

A vizinhança logo começa a discutir sobre as sombras das supostas almas penadas que vagariam por aqueles corredores vazios em busca de justiça. Pode parecer uma história de terror, mas esse é legado do castelinho da rua apa, antigo lar da família “Dos Reis”, e palco de um dos mais notórios assassinatos não resolvidos da história do Brasil.

A Família

Tendo os luxuosos castelos franceses em mente, a família Reis, ordenou a construção de seu próprio castelinho no centro da cidade de São Paulo em 1912. A ideia para tal conceito arquitetônico partiu do médico e pai, Virgílio Guimarães dos Reis, que viria a falecer em um acidente automobilístico em 1934. Com sua morte, a propriedade do castelo ficou para sua viúva e católica dedicada Maria Candida Guimarães Reis e seus dois filhos advogados, o esportista namorador Álvaro e o discreto Armando.

Outro efeito da repentina ausência de Virgílio foi o início de uma longa discussão sobre o que fazer com o dinheiro da família. Candida e Armando queriam manter o cinema que a família já possuía como fonte secundária de renda, enquanto Álvaro, por influência de suas viagens para a Europa, queria abrir um ringue de patinação.

As mortes

Álvaro estava na casa de sua namorada, Dona Baby, quando recebeu uma ligação afirmando que ele precisava urgentemente ir até o castelinho, pois havia uma questão a qual exigia sua atenção imediata. O autor deste telefonema nunca fora descoberto.

De acordo com a policia, ao chegar na propriedade, encontrou o irmão, Armando, com quem teve uma acalorada discussão, a qual sua mãe teria tentado apartar. Foi então que os primeiros disparos ocorreram, com a viúva Candida sendo a primeira a cair, seguida por seu filho Armando, ambos alvejados pela parabélum de Álvaro que teria então a levado ao próprio peito e disparado.

Provas contraditórias

A simplicidade do paragrafo acima pode confundir um leitor, afinal, se há uma narrativa tão clara dos eventos, como poderia este caso permanecer inconclusivo?

Na verdade, o que você leu foi apenas a versão oficial da polícia técnica de São Paulo, no entanto, esta se encontra em direta contradição com o relatório da perícia que salpica manchas de dúvida nesta tragédia.

Por exemplo, enquanto Álvaro é tomado como o atirador suicida, foi na mão do irmão mais novo, Armando, que os legistas encontraram rastros de pólvora, sugerindo que ele teria manuseado a arma. Isto poderia sugerir uma troca de tiros invés de um fuzilamento unilateral, no entanto, uma segunda arma nunca foi encontrada. Havia também a questão da posição dos corpos, que para poder elucidar devo pedir que o leitor se imagine no lugar do atirador.

Ao ser atingida, sua vítima seria jogada para trás pelo impacto da bala, correto? Então, como seria possível que os corpos dos dois irmãos foram encontrados em paralelo um ao outro?

Para sepultar qualquer certeza quanto ao caso, temos o fato de Álvaro ter supostamente se matado com dois tiros no coração, uma impossibilidade anatômica.

Infelizmente, a investigação da perícia foi encampada pela polícia técnica e nunca teve a chance de desenvolver estas pistas de forma a alcançar uma conclusão. A investigação foi abandonada, junto ao próprio castelo que se perdeu no tempo por décadas até ser restaurado em 2015.

No meio tempo a tragédia da família Reis se tornou parte da mitologia urbana de São Paulo, chegando a ser palco de filmes do Zé do Caixão. Mas ainda há quem, ao passar pela Rua Apa tenha a distinta impressão de ouvir um grito, talvez de um fantasma, talvez de uma pessoa viva, talvez da verdade que ainda anseie por ser conhecida.

 

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