O Esquartejamento de Álvaro Pedroso

Os detalhes que você não vê, contados em primeira mão

O Esquartejamento de Álvaro Pedroso

Em 23 de março de 2014, numa manhã de domingo aparentemente normal na capital paulista, deu-se início a uma investigação que assustou moradores. Dois braços e duas pernas haviam sido encontradas em sacos plásticos no bairro de Higienópolis, no centro da cidade, por um morador de rua – as pontas dos dedos estavam cortadas para dificultar a investigação. Poucas horas depois, a polícia foi informada de que uma gari havia encontrado um tronco humano, o qual estava sem a pele, no mesmo bairro. E ainda no mesmo domingo, outro pedestre informou a polícia de que havia encontrado um saco plástico contendo as coxas.

Num primeiro momento não foi possível identificar se as partes eram da mesma vítima, além do fato de que a cabeça e o orgão genital não haviam sido encontrados no mesmo local.

Quatro dias depois, uma cabeça em estado avançado de putrefação foi encontrada envolvida por uma camiseta dentro de uma sacola plástica na Praça da Sé. No total, o corpo foi despejado em 4 locais diferentes de São Paulo — mas quem seria o responsável por um crime tão brutal?

Álvaro Pedroso, a vítima

A vítima foi identificada como sendo Álvaro Pedroso, de 55 anos, que trabalhava como motorista de ônibus, morava com a esposa e tinha dois filhos. Há cerca de sete anos ele mantinha um caso com Marlene Gomes, de 57 anos, que tem uma filha e trabalhava como prostituta no centro de São Paulo, e ele as ajudava financeiramente.

Ele era muito próximo da própria filha, Jesselene, e chegou a contá-la sobre o seu relacionamento extraconjugal, sem que ela soubesse a identidade da amante. Sua esposa, Maria Eli do Nascimento Pedroso, sabia do relacionamento aparte e respeitava, pois ela e Álvaro estavam em processo de separação.

Ele foi visto pela última vez no dia 22 de março de 2014, quando saiu para encontrar Marlene. Sua esposa, junto de sua filha, registrou um boletim de ocorrência na Delegacia dos Desaparecidos. Isso foi extremamente importante para a investigação, pois a foto do desaparecido foi reconhecida como sendo a vítima encontrada na Praça da Sé.

Reconstituição / Imagem: Investigação Criminal

O Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) analisou câmeras de segurança e encontrou imagens de três mulheres caminhando juntas pela área onde as partes foram encontradas – elas foram identificadas como sendo Marlene Gomes, Francisca Aurilene Correia da Silva, que também era prostituta, e Marcia Maria de Oliveira, que vendia marmitas no prédio onde as amigas trabalhavam. Elas carregavam carrinhos de feira portando bolsas onde estava o corpo de Álvaro, e também seguravam um saco de lixo preto.

O CRIME

Na noite de 22 de março, Álvaro e Marlene se encontraram num apartamento usado como prostíbulo na Rua dos Andradas, no centro, onde ela morava e trabalhava. Não era comum se encontrarem naquele local pois geralmente optavam por passar os finais de semana juntos em hotéis.

O crime foi premeditado e o motivo seria a insatisfação de Marlene em saber que Álvaro desejava terminar o relacionamento, o que resultaria no fim da ajuda financeira que ela recebia dele.

Segundo o inquérito policial, as três amigas armaram um esquema para embriagar e atacar o motorista no apartamento onde todas elas trabalhavam.

Márcia de Oliveira, Marlene Gomes, Francisca Aurilene

 

Dessa forma, após Álvaro ser embriagado, ele foi ao banheiro – e foi quando recebeu a primeira pancada na cabeça com uma machadinha, executada por Márcia.

O laudo necroscópico do Instituto Médico Legal (IML) da Superintendência da Polícia Técnico-Científica (SPTC) apontou que a vítima morreu em decorrência de traumatismo craniano causado por pancadas que recebeu na cabeça, e teve o corpo esquartejado após a morte – por Marlene – com uso de uma serra.

Francisca se sentiu mal e teria deixado o local, tendo apenas ajudado as amigas a despejar o corpo.

Foi relatado que elas embalaram a genitália, a pele e as falanges (ponta dos dedos) em outra sacola, a qual foi deixada para o caminhão do lixo levar.

A OUTRA VERSÃO

Na versão criada por Marlene Gomes, Álvaro era um homem extremamente agressivo, contrariando totalmente a imagem que a esposa e filha tinham dele. Para elas, “Alvaro era nervoso, mas não a ponto de agredir ou ameaçar alguém”. Nas palavras da amante, o motorista a obrigava a fazer sexo sadomasoquista, com vibradores, parafilia e surras. Ela ainda contou que ele supostamente a ameaçava de morte.

De acordo com ela, naquela noite não tinha a intenção de matá-lo, porém agiu de forma a defender-se de uma suposta agressão. “Ele me deu uma porrada, eu caí, machuquei o braço bastante. Foi aonde eu empurrei ele com tudo”, disse Marlene. Em seguida ele supostamente teria caído, batido o rosto no vaso sanitário, e que ela teria dado apenas uma martelada. Ela então teria o esquartejado usando uma faca que ele carregava consigo.

CONDENAÇÃO

Marlene foi condenada a 19 anos de reclusão pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver, enquanto suas amigas, Francisca e Marcia, foram condenadas a 1 ano de reclusão por ocultação de cadáver.

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